Saturday, October 22, 2005

Movimento Perpétuo





Carlos Paredes
16 de Fevereiro de 1925 -
- 23 de Julho de 2004








Este homem transcendeu o desconhecido
Porque criou e sentiu os sons na pele
Compôs peças que são mais do que a "pequena música"
Como ele próprio dizia
São o legado intemporal de uma nação
Expressos na linguagem universal












A sua música é a alma lusitana
Transposta para o lugar onde a comercialidade não entra
O seu metrónomo era a respiração
Quando preso, compôs música num pente
Andando às voltas numa cela em Caxias
E se toda uma cultura nacional pudesse alguma vez
Ser derretida para se transformar num elemento abstracto
O resultado seria certamente "Acção", que cheira ao país
E soa ao que ele tem de mais antigo e próprio










Eis que o oiço neste preciso momento
O meu teclar acompanha por instantes
As unhas que dedilham a guitarra com amor
Os seus sons são um comboio que nos leva, de graça,
Até às nossas memórias, para a nossa imaginação
Desafio qualquer um que tenha vivido um pouco
E desde que seja alguém-que-sinta ou saiba fazê-lo
A escutar com atenção o nosso Mestre, pai musical
Este verdadeiro deus que veio ao mundo e falava a nossa língua
Saberão então coisas passadas, e já esquecidas
Como o bravo sentimento que incendiou a alma dos homens de outrora
Para se lançarem na escuridão, pela madrugada
Acenando ao Tejo e à família, decididos a navegar
Em embarcações que fundaram todo um império










Paredes é imortal
Paredes é sobrenatural e supra-terreno
É uma ideia incompreensível mas amada
E assim,
Não obstante os tempos,
E apesar das vontades,
Carlos Paredes é um bilhete para o que há de mágico na palavra "Portugal".
counter
Sign my Guestbook Get your Free Guestbook from Bravenet.com